Notícia no Portal G1 da Globo

September 2, 2014

Fazenda em Santa Rita de Jacutinga, MG, revela parte da história do Brasil

 

Local é mantido exclusivamente com o que arrecada nas visitas de turistas.


Espaço foi um dos cenários da novela "Terra Nostra", da Rede Globo.

A fazenda Santa Clara, localizada no município de Santa Rita de Jacutinga, a 140 quilômetros de Juiz de Fora, guarda anos de história e tradição. De acordo com um dos herdeiros, Victor Emmanuel de Paula Nogueira, são seis mil metros quadrados de área construída, o que a configura como uma das maiores fazendas da América Latina. Além disso, a sede conta com três andares e é toda feita de pau-a-pique.

 

Atualmente, apenas a fachada principal é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), já que a parte interna ainda está em processo de avaliação pelo órgão. O local tem grande força no turismo da Zona da Mata e é mantido exclusivamente pelo que arrecada com as visitas.

 

A casa foi construída em meados do século XVIII e apresenta números exorbitantes: são 365 janelas, uma para cada dia no ano; 52 quartos, um para cada semana e 12 salões, representando cada mês do ano. A construção é toda coberta com telhas moldadas nas coxas dos escravos e, por isso, apresenta algumas imperfeições. “Foi dessa prática, que era uma atividade de lazer dos escravos, que surgiu a expressão ‘feita nas coxas’", explicou Victor. O herdeiro conta também que no primeiro piso da construção há pedras portuguesas vindas de Paraty, no estado do Rio de Janeiro. “As pedras vinham de Portugal dentro do navio que chegava ao Brasil para buscar ouro. Elas faziam peso para que o navio ganhasse estabilidade no mar. Chegando em Paraty, as pedras eram substituídas por ouro”, disse Victor.

 

A fazenda foi adquirida pelo bisavô de Victor, Coronel João Honório de Paula Motta, em 1924. Antes ela pertencia ao Comendador Francisco Tereziano Fortes de Bustamante. “O patrimônio é da época do café. Com a abolição dos escravos, o fazendeiro ficou sem gente para trabalhar e acabou em dificuldades financeiras. Com isso, o local ficou por mais de 20 anos nas mãos de um banco, até que meu bisavô comprou”, relatou.

Atualmente a propriedade é dividida em oito partes, uma para cada herdeiro. Além disso, tem um museu, no qual os turistas tem a oportunidade de conhecer grande parte do casarão. “Eu e minha mãe conduzimos a visita. Recebemos muitos turistas por mês. Em época de férias e feriados, contamos até com estrangeiros querendo conhecer o local. Cobramos R$15 e mantemos a casa com o que arrecadamos”, destacou.

 

No lugar os turistas tem a oportunidade conhecer várias peças históricas, como um tapete persa de mais de 20 metros quadrados, um espelho todo coberto com ouro e coleções de móveis. Além disso, podem observar como era a vida dos escravos na época. “Temos tudo conservado, como a senzala, a masmorra e um mirante, construído para vigiar a propriedade”, contou.

 

A fazenda reserva tanta história que foi escolhida como um dos cenários da novela da Rede Globo. A novela “Terra Nostra”, filmada entre os anos de 1999 e 2000. “A produção alugou o local por um ano, mas usaram mesmo por 22 dias. Porém, foram 24 horas de gravação durante este período. A equipe estava aqui de manhã, tarde e noite. Foi muito bacana, conhecemos os artistas e acompanhamos tudo de perto”, destacou Victor.

 

Além da telenovela, a propriedade também recebeu as filmagens da minissérie “Abolição”, da Rede Globo. “Foi uma gravação realizada em 1988 em comemoração ao centenário da abolição. Eles usaram inclusive histórias da fazenda durante a trama”, disse Victor.

 

Memória viva


Para o historiador Roberto Dilly, dentre todas as peças que sobraram da época do café, a Fazenda Santa Clara é a mais completa e preservada. “Normalmente, sobraram apenas fragmentos dessas grandes fazendas produtoras de café. Porém, nesse caso, está tudo muito bem preservado. É um grande feito para a recuperação da memória e da história”, enfatizou.

 

Ainda de acordo com ele, no local é possível entender exatamente como era a vida naquela época. “A Santa Clara foi altamente produtiva no século XIX. Apesar dela ser do século XVIII, a parte cafeeira só vai atingir seu ápice no século seguinte, principalmente com a chegada da família imperial em 1808. O número de escravos no local era muito grande, acima do normal, possibilitando a grande produção. Ao visitar a propriedade, o turista consegue saber como era a vida na casa grande, a vida na senzala e entender como a questão produtiva era organizada. O local conta a história naturalmente”, explicou.

12/01/2014

 

Link: http://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2014/01/fazenda-em-santa-rita-de-jacutinga-mg-revela-parte-da-historia-do-brasil.html

 

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